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Por que é importante ficar de olho no investimento em Startups

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Matéria publicada na revista  “STARTUP 5X MAIS”, maio/2017.

POTENCIAL DE VIRADA DA ECONOMIA BRASILEIRA 

O Brasil, diante de todos os outros emergentes, tem 3 grandes características combinadas, que nenhum outro tem (ao mesmo tempo): grande potencial, resistente e espaço para medidas. Vamos esmiuçar. 

Um dos principais problemas do Brasil é a má gestão. O BNDES e o FGTS, por exemplo, são ótimas idéias com problemas de gestão/interesses, que poderiam combinados gerar enormes benefícios para o país se houver uma boa gestão. A máquina pública está extremamente inflada com seu custeio. Apesar de não ser um problema fácil, é um problema simples que, com uma gestão razoável já poderia melhorar muito. 

Hoje provavelmente estamos no alçapão do poço (abaixo do fundo), com uma dívida de cerca de 82% do PIB e indicadores econômicos nas mínimas de 10 até 20 anos. Podemos considerar um bom momento para um investidor astuto comprar na baixa. Como diz Warren Buffet: “O preço é você que paga, o valor é você que leva. Estejamos falando de empresas ou de cuecas, gosto de comprar qualidade quanto está barato.”. Tanto é que mais da metade do capital investido na BM&F Bovespa hoje é estrangeiro, o que pode nos servir como um “termômetro”: país está muito barato em moeda estrangeira e há grandes players enxergando potencial aqui (vale a pena olhar com carinho).  

Em termos de políticas-econômicas, ainda não fizemos quase nada da tarefa de casa, ainda há espaço para inúmeras medidas relativamente simples (não fáceis), já testadas e que funcionam. Diferente de outros países que já fizeram quase de tudo. Podemos fazer o Banco Central se tornar totalmente independente, por exemplo. O grande problema brasileiro é o componente político, que pode ir contra a teoria/técnica/estratégia correta, por seus interesses controversos. Isso não é um problema simples (por ser cultural e intrínseco), mas nos últimos meses/anos, devido às operações da Policia Federal e Ministério Público, podemos notar uma onda forte de receio e mudança. 

Como aumentar o PIB? Estimulando o consumo. Como aumentar o consumo? Aumentando renda, fatores de produção e investimentos.  Estamos há 10 anos com investimentos caindo (desde 2007). Não há hoje investimentos estruturais no setor produtivo com retorno à longo prazo de verdade. Mesmo com tudo isso, o país impressionantemente ainda resiste e atrai investimentos. 

Diferente da maioria dos países, investimentos no Brasil geram um rápido impacto e retorno no PIB. Isso se deve ao fato de que a variável mais importante para impacto no PIB é o consumo. No Brasil, a propensão marginal do consumo é de cerca de 93%, ou seja, o brasileiro poupa apenas 7%. Qual empresa não quer um mercado consumidor assim? Qualquer boa medida do governo pode mudar nossa situação em um ritmo mais acelerado. O Japão está em crise há 20 anos por esse simples motivo: ninguém consome (japonês poupa 47% do que ganha). Europa está em crise há 12 anos por motivos semelhantes, a economia não responde. 

A CRISE BENEFICIA STARTUPS E NOVOS NEGÓCIOS 

Um ponto que chama a atenção de qualquer investidor/gestor externo é que os grande monopólios brasileiros estão enfraquecidos, gerando uma oportunidade de entrada. Nos últimos 2 anos empresas deixaram de investir e encolheram (“desindustrialização”). A balança comercial “melhorou” ano passado (superávit) apenas pelo fato de que a exportação diminui menos que a importação. As grandes empresas estão lutando para defender o trimestre. Em situações assim, a 1ª coisa que cortam é o marketing. A 2ª coisa é aquilo que não dá retorno imediato, como novos projetos e área de P&D. A 3ª coisa importante: muita gente talentosa é demitida. Assim, para empresas entrantes, fica mais fácil acessar profissionais talentosos e uma concorrência enfraquecida. 

POTENCIAL BRASILEIRO PARA STARTUPS 

Além disso, por si só o Brasil já tem uma menor competitividade/concorrência em relação à outros países. O ambiente de empreendedorismo está ainda em fase de maturação (empreendedores e investidores). Temos pouquíssimas iniciativas de capital de risco (anjos, fundos VC´s ou Private Equity), nossos investidores nesse segmento ainda são quase amadores. Fundos estrangeiros entram em empresas mais maduras (“não conseguem avaliar de longe o early stage, apesar de tentador”). Em outros países, quando uma startup nasce, no dia seguinte há 15 outras empresas fazendo algo similar. Hoje ainda somos quase “virgens” de grandes cases. Não temos nenhum case de startup “unicórnio” (com valor de saída superior à U$ 1 bilhão), por exemplo. 

Por outro lado, as barreiras de entrada no Brasil são realmente duras, principalmente as questões burocráticas e jurídicas (tributárias, trabalhistas, etc.). Não é fácil para alguém vindo de fora entender todo esse emaranhado. Mesmo auxiliados com boas consultorias, leva-se um tempo, o que dá espaço para os que estão atuando se defenderem de novos entrantes com diferentes estratégias. Contudo isso pode ser interpretado como uma vantagem aos olhos de um investidor. A partir do momento que conseguiu entrar e se estabelecer, a empresa também estará protegida por essa barreiras de entrada. 

Por último, lógico que não poderíamos deixar de citar o enorme potencial que o Brasil tem. Temos um enorme mercado interno/local, devido à nossa geografia e perfil de consumo. Nosso comércio eletrônico e número de internautas vêm aumentando mesmo em meio à crise e ainda há muito espaço para crescer. Associado à isso, ainda temos o fato de haver muitas ineficiências para explorar. 

DESAFIOS ENCONTRADOS NA CONDUÇÃO DO CONHECIMENTO NO ANTIFRÁGIL 

O brasileiro é mais desinformado e mal formado do que pensávamos. O que consideram um bom nível de conhecimento, é considerado um nível péssimo no exterior. Por isso os estrangeiros adoram montar empresas no Brasil, é muito fácil bater o concorrente brasileiro. 

Acreditamos que só empresário precisa saber de Empreendedorismo e Gestão, e acha que só economista precisa entender de Economia e Investimentos. Não entendem que são conhecimentos básicos que todas as pessoas deveriam conhecer, independente de área de atuação. Além disso, têm uma péssima Mentalidade e péssimo Comportamento, que são a base de tudo isso. São assuntos que, se não passam por sua cabeça, passam pelo seu bolso diariamente e você não percebe. 

Por isso, acabamos sendo “presas fáceis” e alvo tão desejado por corretores de imóveis, gerentes de bancos, corretores de bolsa de valores e outros “lobos” à solta por ai… Fazemos maus investimentos, não entendemos nada de notícias/discussões político-econômicas e não sabendo como “empreender/gerir” na própria carreira ou negócio. 

Diante desse cenário, estruturamos o @Anti.Fragil dentro dessas 3 vertentes: 

  • Mentalidade & Comportamento 
  • Empreendedorismo & Gestão 
  • Economia & Investimentos 

Outro fator é o que brasileiro é iludido e ansioso. Acredita em fórmulas mágicas e acredita que o sucesso é construído no curto prazo. Não planejam no médio/longo prazo. Acabam virando pessoas ansiosas e consequentemente fracassadas. É preciso entender que as grandes conquistas levam tempo e esforço de verdade. 

Associado à isso, ainda vêm um outro detalhe que percebemos durante essa grande jornada do @Anti.Fragil: o brasileiro tem um péssimo hábito de “terceirização de culpa” e de não fazer uma auto-reflexão sincera. Sempre encontra culpados para seu fracasso: a crise, o mercado, o concorrente desleal, o concorrente mais rico, etc. Sendo que normalmente é a culpa é sua mesmo, e “apontar dedos” não vai resolver nada. 

Mesmo com todos esses desafios, graças a Deus, temos conseguido resultados incríveis com nossos membros, tendo grande feitos, aumentando significativamente seu nível financeiro e intelectual. Estão todos muito satisfeitos! 

Autor: 

Referências: 

  • The long view: how will the global economic order change by 2050? PwC, 2017. 
  • ALMEIDA, A. C. A Cabeça do Brasileiro. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007, 277 p. 
  • VÍCTORA, C.; OLIVEN, R. G.; MACIEL, M. E.; ORO, A. P. Antropologia e Ética: O Debate Atual no Brasil. Niterói: Editora da Universidade Federal Fluminense, 2004. 

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